Variados

Publicado em julho 6th, 2018 | por Lucas

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Catuaba

Falar de Catuaba é lembrar da minha época de faculdade. Quantas vezes, quando estava na pindaíba total, não me embreaguei tomando o bom e velho afrodisíaco da Amazônia (aquele da índia gostosa no rótulo).

Quem cursou ou está cursando faculdade sabe do que estou falando. Quando a grana apertava, e tomar cerveja já não era tarefa das mais acessíveis para seu bolso, era necessário ter um “plano B”, uma rota de fuga. Em outras palavras: você era obrigado a apelar para as bebidas mais baratas. E era justamente nessa situação de desespero que entrava a figura da fiel catuaba, sempre lá disposta a salvar nossas necessidades etílicas.

E como os broxas bebedores de plantão aqui da redação do Etílicos se amarram numa catuaba (com exceção da Lívia, que confessou traumas obscuros em relação à bebida), a sessão destilando de hoje é “potente”, e de raízes literalmente nacionais. É hora de dar uma moral pra Catuaba.

Da planta à bebida

A catuaba é uma árvore pequena e vigorosa, que produz flores amarelas e cor-de-laranja, e pequenos frutos ovais, amarelados e não comestíveis.

A planta cresce ao norte do Brasil, mais precisamente na floresta amazônica. Ela pertence à família Erythroxylaceae, cujo gênero principal, o Erythroxylum, contém várias espécies que são fontes de cocaína. A catuaba, no entanto, não contém qualquer um dos alcalóides activos da cocaína.

A bebida catuaba é composta basicamente de vinho tinto doce (com catuaba), guaraná e marapuama, e sua graduação alcoólica gira em torno de 16,5%vol. Alguns alegam que seu sabor pende ao lado do vinho, até mesmo para a jurupinga (uma espécie de mistura entre jurubeba e pinga), mas não acho que seja pra tanto. Prefiro definir a catuaba como uma bebida de sabor exótico, único, sem espaço para comparações (até porque ainda não encontrei uma bebida de sabor comparativo ao dela).

Normalmente toma-se catuaba pura bem gelada e/ou com gelo. É claro que sempre tem um ou outro que gosta de inovar, mas de maneira geral é assim que se toma (eu e a grande maioria dos bebedores que conheço tomamos ela assim). Alguns gostam de bebê-la com amendoim formando um verdadeiro coquetel afrodisíaco. Mas como é de praxe, ao final desse post colocarei uma receitinha especial pra vocês.

O poder do afrodisíaco natural da Amazônia

Históricamente falando, a catuaba tem conhecidos poderes afrodisíacos. Os índios Tupi do Brasil foram os primeiros a descobrir as qualidades afrodisíacas da planta e nos últimos séculos inventaram muitas canções sobre as suas qualidades e capacidades. Ela age no sistema nervoso central como um estimulante, e é muito utilizada também em casos de agitação, nervosismo, nevralgia e cansaço, além de problemas com a  memória.

Ela atua como um estimulante do fluxo sanguíneo aos órgãos genitais, podendo fortificar e prolongar uma ereção. Além disso tudo, ela ainda aumenta a excitação sexual e dá orgasmos mais fortes (já encomendei toneladas depois dessa informação).

Ok…sabemos que ela é afrodisíaca e que ajuda na ereção. Mas ela só serve pro homem? Nada disso. A bebida estimula o desejo sexual e aumenta a libido tanto no homem como na mulher. Pouco após a ingestão, a maioria das pessoas sentirá formigueiros ao longo da coluna e um aumento da “sensualidade” pelo corpo inteiro. A pele e os órgãos genitais tornam-se mais sensíveis. É a legítima “erva do amor” (eu inventei esse termo ridículo, mas achei o péssimo trocadilho propício).

A bebida “oficial” do festival de forró de Itaúnas

Pra quem não sabe, o Etílicos.com é um blog capixaba (aquele que nasce no Espírito Santo…tem gente que não sabe disso…sério), mas com alguns toques paulistas do restante de nossa equipe. Sendo assim, estamos sempre atentos às festas e comemorações culturais de nossa região, sem qualquer tipo de Bairrismo. Prova disso são as diversas coberturas etílicas que fazemos por aí.

E uma das mais tradicionais e conhecidas festas capixabas é o “Festival Nacional de Forró de Itaúnas”. A famosa Vila de Itaúnas se localiza na região Norte do Espírito Santo, e pertence ao município de Conceição da Barra. Famoso a âmbito nacional e internacional, o festival de forró de Itaúnas atrai forrozeiros de todo o Brasil que buscam curtir o que tem de melhor no forró pé-de-serra de nosso país.

E é claro que a catuaba é presença certa no festival. Afinal de contas, quem não curte dançar um pé-de-serra colado na gatinha, e ainda por cima tomando uma catuaba pra dar aquele “esquenta” na dança. Se você nunca fez, não sabe o que tá perdendo.

Abaixo segue um trecho do documentário “Um lugar chamado Itaúnas”, de Romário Lopes, pra quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre o festival.

 

Receita: Caipirinha de catuaba (Catupirinha)

Eis aqui a prometida receitinha que comentei lá em cima. E não se trata de uma receitinha qualquer. Você já ouviu falar na “catupirinha”? pois bem, trata-se de uma deliciosa caipirinha de catuaba. Receitinha exótica, mas muito boa. Dá um confere aí:

INGREDIENTES

  • 2 limões
  • 2 colheres de açúcar
  • uma boa dose de catuaba (ao invés da cachaça)
  • gelo a gosto

MODO DE PREPARO

Prepare todo o ritual característico de uma boa caipirinha (macere o limão com o restante dos ingredientes e a catuaba no final). Por fim, misture tudo e aprecie o delicioso sabor da catupirinha, a caipirinha que leva catuaba ao invés de cachaça.

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Sobre o Autor

Lucas

Estou aqui só pela bebida. Já tive alguns blogs ai mas deu na telha de começar do zero.



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