Moonshine – O uísque proibido


“Moonshine, o uísque branco proibido”

O que hoje acontece com algumas substancias de cunho recreativo (as famosas drogas ilícitas) já aconteceu com o álcool. Teve uma época sombria em que ele não era socialmente bem visto e até considerado ilegal. Com o costume do “livre consumo” do álcool que temos hoje é intrigante pensar que há menos de 100 anos era proibido a produção, transporte e venda de qualquer bebida destilada em territórios norte americano. Foi a sombria Lei Seca Americana, bastante retratada pelo cinema, como no filme Os Infratores (2012).

E todo mundo sabe que onde há proibição há ilegalidade. E ai que entra o Moonshine.

História do Moonshine

De modo geral, moonshine era qualquer destilado de alta graduação alcoólica feita de forma ilícita para driblar a proibição e/ou os posteriores impostos abusivos sobre as bebidas alcóolicas. Há uma divergência sobre seu nome, alguns estudiosos dizem que era referencia a sua fabricação ser basicamente noturna (para fugir da fiscalização do governo) derivando do termo moonshining (gíria para qualquer atividade realizada na calada da noite). Outros já dizem que deriva do termo “Moonrakers” utilizados por contrabandistas novatos ingleses.

Fabricação de Moonshine
 

Mas afinal, como se fabrica?

Saindo da abrangência de “qualquer bebida alcoólica produzida ilegalmente” o Moonshine comumente feito de base de no mínimo 80% de milho macerado (ou papa de milho) com uma graduação alcoólica que chega em torno de 80% e que não passa por barril de envelhecimento.

O Moonshine original é feito de forma totalmente artesanal e normalmente não se preocupa com critérios sanitários nem índices dos seus componentes, podendo ter altos teores alcoólicos e grau de impurezas e toxicidade acima dos permitidos por lei. Muitos produtores artesanais também utilizam equipamentos inadequados (há registros de moonshiners utilizando radiadores de carros abandonados) que podem ser extremamente cancerígenos. Os testes feitos na época (e utilizados até hoje por saudosistas) era a queima do líquido em uma colher de metal, onde a cor da chama indica a pureza da bebida. Uma chama amarelada denunciava uma bebida com muitas impurezas, a chama vermelha alertava para produtos tóxicos e a azul atestava a alta qualidade da bebida.


Para quem quiser arriscar, segue um tutorial em vídeo

 

Moonshine pelo mundo

MoonshineHoje o moonshine (em sua receita original, de milho) é produzido legalmente por algumas empresas e carrega a bandeira de White Whiskey (uísque branco) ou Clean Corn Whiskey (Uísque claro de milho) pois como não passa por processos de envelhecimento em barris. O uísque norte-americano mais famoso do mundo também produz o seu moonshine. Jack Daniels Tennessee Rye possui apenas 40% de álcool e é uma opção mais suave para o público que está acessando o produto.

Fora dos EUA temos as versões locais de bebidas artesanais (ou proibidas), que nem sempre são destilados de milho.

Brasil – Conhecido como  “Maria Louca”. É aguardente feito nas cadeias pelos próprios presos.

Canadá – Moonshine é muito utilizado para nomear qualquer bebida caseira. As versões antigas eram feitas provavelmente das peles da batata mas agora a maioria de uso home dos produtores melaço como uma fonte do açúcar.

Colombia – Na terra de Escobar o moonshine é chamado “Tapetusa” ou “Chirrinchi” e é ilegal. Entretanto, é completamente popular em algumas regiões e foi tradicional por centenas dos anos.  Os aborígines também faziam sua própria versão da bebida alcoólica chamada “Chicha“antes da chegada de Europeus. Já na costa da Colômbia, a tribo de Wayuu produz o “Chirrinche” que é para o consumo e o comércio locais com turistas. Chirrinche é considerado para ser muito forte e produz frequentemente uma ressaca sem igual.

Dinamarca – Conhecido como hjemmebrændt (repouso queimado).

Finlandia – O moonshine finlandês é a nossa vodka, feito geralmente de hidratos de carbono fermentado,  geralmente grão, açúcar ou batata. O nome o mais comum é pontikk.

Geórgia – Tradicionalmente de uva e é chamado chach. Também é promovido como “conhaque Georgia” ou “ vodka Georgian”, e comparado a grappa.

Grécia – Na  Grécia  é batizado como a Raki (grego: ρακή) no ilha de Creta, Tsikoudia(grego: τσικουδιά) e Tsipouro (grego: τσίπουρο) em outras partes do país.

Guatemala – O termo o mais conhecido na Guatemala para o moonshine é cusha. É popular em regiões grandes do campo, onde é feito fermentação das frutas, particularmente para festivais Maia. Cusha é também é uma bebida sagrada, quando os shamans, que o consomem durante cerimônias de limpeza e os cospem seus “pacientes”.

Irlanda – Grãos ou a batata basearam o moonshine feito ilegal dentro Irlanda e é chamado poitín. O termo é um diminutivo da palavra pota “um potenciômetro”.

Japão – No Japão, fazer bebida em casa é chamado doburoku. Quando não for um licor destilado, tem uma reputação de ser completamente potente, e está comparado às vezes com o moonshine. Mas as leis do controle do licor do presente proíbem destilação caseira de bebidas que contêm álcool de acima de 1%.

Malásia – No estado de Sarawak em Malásia o moonshine é chamado “Langkau”. E éfeito do vinho fermentado de arroz (tuak).

Peru – Um dos poucos países onde o moonshine é completamente legal. A produção e a venda de bebidas alcoólicas caseiras são inteiramente não reguladas mas seu consumo é comum em refeições diárias. Pisco é uma das bebidas alcoólicas as mais comuns dentro Peru, embora tipos diferentes de chicha, com seu índice de álcool geralmente baixo, são bastantes consumidas.

Rússia – Na Rússia o nome para toda a bebida alcoólica destilada em casa é samogon (ru: самого́н), traduzido literalmente como o “auto destilado”. A fonte a mais popular para samogon é o açúcar.

África do Sul – Na África do Sul o moonshine feito de fruta (na maior parte pêssegos ou marulas) é conhecido como mampoer (nomeado após Pedi chefe Mampuru).

Moonshine
Apreensão de Moonshine
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